Os erros mais comuns que brasileiros cometem ao falar inglês (e como corrigir)
“I have 25 years.” “I lost the bus.” “People is very nice.” Se você já soltou uma dessas, está em ótima companhia: quase todo mundo que aprende inglês no Brasil passa por elas. Não é descuido nem falta de jeito para idiomas. É o português falando mais alto: na nossa língua, a idade se “tem”, o ônibus se “perde” e “o pessoal” vai no singular. Os linguistas chamam isso de transferência: a gente aplica as regras da língua materna ao idioma que está aprendendo.
O lado bom é que esses erros têm lógica. Quando você entende de onde cada um vem, fica muito mais fácil perceber o deslize na hora. Nesta página estão os erros mais comuns de brasileiros em inglês, cada um com a versão natural e o motivo. Tem também a gramática que não se traduz ao pé da letra, os falsos cognatos e as traduções literais que mais confundem, além dos sons que dão trabalho para quem fala português, com o jeito de produzir cada um.
Só que conhecer a regra não muda o hábito. O hábito muda quando você diz a frase certa em voz alta, várias vezes. Por isso, mais abaixo, mostramos como treinar cada padrão com a Airi, uma parceira de conversação em inglês com IA que funciona no navegador. Você fala, ela responde em voz alta e, quando uma frase sai torta, mostra um Small fix (um pequeno ajuste), um só por vez, antes de seguir o papo. Não tem plateia nem ninguém julgando, então dá para errar, repetir e tentar de novo sem passar vergonha. Um aviso: a Airi fala só inglês, e a interface do app também é em inglês.
Um exemplo rápido com a Airi
Os erros mais comuns de brasileiros em inglês, um por um
Nenhum deles é aleatório: cada um copia uma regra do português.
| O que a gente diz | Inglês natural | Por que acontece |
|---|---|---|
| I have 25 years. | I'm 25. | Em português a idade se “tem”; em inglês, vai com “to be”. Com medo, fome e frio é igual: “I'm afraid”, “I'm hungry”, “I'm cold”. |
| I lost the bus. | I missed the bus. | “Lose” é perder um objeto ou um jogo. Não chegar a tempo é “miss”. |
| Is raining. | It's raining. | O português dispensa o sujeito (“Está chovendo”). O inglês exige um, nem que seja “it”. |
| Has a bakery near my house. | There's a bakery near my house. | “Tem” no sentido de “existe” é “there is” ou, no plural, “there are”. |
| People is very friendly here. | People are very friendly here. | Pensamos em “o pessoal”, que é singular. “People” é plural. |
| I am agree with you. | I agree with you. | “Agree” já é verbo, como “concordo”. O “am” vem de “estou de acordo”. |
| Can you explain me this word? | Can you explain this word to me? | Em “me explica”, o pronome cola no verbo. “Explain” pede “to” antes da pessoa. |
| It depends of the price. | It depends on the price. | Cópia de “depende de”. “Depend” anda com “on”. |
| I don't know nothing. | I don't know anything. | Em português, negar duas vezes é a regra (“não sei nada”). No inglês padrão, basta uma. |
Gramática que não se traduz bem do português para o inglês
Outros hábitos do português entram na frase sem pedir licença:
- Fazer: make ou do? Em geral, “make” é produzir algo (“make a plan”, “make a mistake”) e “do” é cumprir uma tarefa (“do homework”). E às vezes não é nenhum dos dois: “ask a question”, “take a test”.
- Dizer: say ou tell? “Tell” pede a pessoa logo depois (“She told me the truth”); “say”, não (“She said she was tired”).
- Em: in, on ou at? Meses, anos, cidades e países vão com “in” (“in July”, “in Brazil”); dias, com “on” (“on Monday”); horas, com “at” (“at 8 o'clock”).
- Artigos. Ideias gerais e nomes de pessoas não levam “the”: “Life is short”, “Maria called”. Já a profissão pede “a” ou “an”: “I'm an engineer”.
Traduções ao pé da letra e falsos cognatos
Estas frases fazem sentido em português, mas o inglês diz de outro jeito:
| Em português | Tradução literal | Inglês natural |
|---|---|---|
| Tenho uma dúvida. | I have a doubt. | I have a question. |
| Fiz 30 anos ontem. | I made 30 years yesterday. | I turned 30 yesterday. |
| Estamos em cinco. | We are in five. | There are five of us. |
| Você tem razão. | You have reason. | You're right. |
| Graças a Deus! | Thanks God! | Thank God! |
E os falsos cognatos, palavras que se parecem com uma do português, mas querem dizer outra coisa:
- Pretend é fingir. “Pretender” é “intend” ou “plan”.
- Actually é “na verdade”. “Atualmente” é “currently”.
- Push é empurrar. Puxar é “pull”.
- Parents são os pais. Parentes são “relatives”.
- College é faculdade. Colégio é “school”.
- Realize é perceber. Realizar um sonho é “make a dream come true”.
- Attend é comparecer ou frequentar. Atender o telefone é “answer the phone”.
- Lunch é almoço. Lanche é “snack”.
- Library é biblioteca. Livraria é “bookstore”.
Pronúncia: os sons que dão mais trabalho e como produzir cada um
A boca procura o som mais parecido que já conhece do português. Sotaque não é defeito; vale treinar só o que pode confundir quem ouve.
| Som | O que costuma acontecer | Como produzir |
|---|---|---|
| Consoante final: “big”, “work” | Entra um “i” extra (“bigui”, “uôrki”): em português, quase nenhuma palavra termina em g ou k. | Pare na consoante, seca e curta, sem soltar vogal depois. |
| Final -ed: “worked”, “played” | Ganha uma sílaba a mais: “work-ed”. | Só vira sílaba depois de t ou d (“wanted”, “needed”). No resto é um som só: t em “worked”, d em “played”. |
| th: “think”, “this” | Vira t, f ou s (“tink”, “fink”, “sink”) ou d (“dis”). O som não existe em português. | Encoste a ponta da língua nos dentes de cima, deixando-a aparecer um pouco, e solte o ar. Em “this”, a voz vibra junto. |
| R inicial: “red”, “right” | Sai como o r de “rato”, e “red” pode soar como “head”. | Curve a língua para trás, sem a ponta tocar o céu da boca. Lembra o r de “porta” no interior de São Paulo. |
| Som de m no final: “time”, “from” | A vogal fica nasal e a boca não fecha, como em “bom”. | Feche os lábios no fim da palavra. |
Como treinar cada erro em voz alta com a Airi
A Airi mostra um Small fix por vez, então dedique cada conversa a um padrão. Comece com um destes pedidos em inglês:
- Idade, “it” e “there is”. “Ask me about myself and my hometown.” Responda com “I'm 28”, “It's a big city”, “There are a lot of parks”.
- Miss, make e do. “Ask me about a bad day I had recently.” Conte o que deu errado: “I missed the bus”, “I made a mistake”.
- Falsos cognatos. “Ask me about my plans for next year.” Use “I intend to” e “I'm planning to”, e deixe “pretend” para quando for fingir.
- Sons. “Ask me about my weekly schedule.” Vão aparecer “Thursday”, “three”, “worked” e “time”. A Airi não dá nota de pronúncia nem analisa som por som: ouça como ela fala e repita.
Na conversa seguinte, ela se lembra do seu nome e do último assunto.
Como aproveitar ao máximo
Um erro por semana
Escolha um padrão só, como o “it” que some em “Is raining”, e fique de olho nele a semana inteira. Tentar vigiar tudo ao mesmo tempo só faz você travar a cada frase.
Repita o Small fix em voz alta
Quando o ajuste aparecer, diga a frase corrigida uma vez antes de seguir. Só ler não basta: a boca também precisa se acostumar com a forma nova.
Guarde o bloco, não a regra
Decore “I'm 25”, “I missed the bus” e “It depends on” como blocos prontos. Se a frase já vem montada, não sobra nada para traduzir do português.
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Começar grátis com o GoogleA Airi fala inglês, e o app também é todo em inglês. A ideia é essa mesma: você pratica no idioma que está aprendendo.
Perguntas frequentes
Por que brasileiros cometem sempre os mesmos erros em inglês?
Qual erro vale a pena corrigir primeiro?
Preciso perder o sotaque brasileiro?
A Airi corrige esses erros?
A Airi é grátis?
A Airi e o app são em português?
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